Conferência Passive House 2025
Mais um ano nas conferências Passive House Portugal, desta vez com o privilégio de apresentar novamente o projeto Casa no Campo, uma reabilitação pensada e executada segundo os princípios da Passive House. É um projeto do qual temos imenso orgulho, tanto pelo que representa como por ser a prova viva de que uma casa desenhada com estes princípios tem um impacto positivo não só no ambiente, mas também na vida de quem a habita.
Aplicar os princípios Passive House numa ruína de pedra.
A Casa no Campo demonstra como conforto e sustentabilidade podem coexistir de forma natural. É um refúgio onde a natureza, a memória da ruína e a tecnologia construtiva se encontram em equilíbrio, dando origem a uma casa luminosa, eficiente e profundamente enraizada no lugar.
Por toda esta aprendizagem, as conferências Passive House continuam a ser das mais relevantes e enriquecedoras para quem acredita que a arquitetura tem de evoluir rumo à eficiência e à sustentabilidade. Cada edição é mais do que um evento técnico; é um espaço vivo de partilha, inspiração e aprendizagem constante. Arquitetos, engenheiros, empreiteiros, fornecedores e clientes juntam-se com um propósito comum: repensar a forma como construímos e contribuir para um futuro habitacional mais saudável e responsável.
Hoje, mais do que nunca, acreditamos que o nosso papel vai muito além de criar espaços pensando apenas no que é estético. O verdadeiro desafio está em projetar casas que unem beleza, eficiência e conforto, respeitando o planeta e servindo, de forma genuína, as pessoas que as habitam.
O ponto de partida estrutural era composto por paredes de pedra e uma estrutura de alvenaria com vigas, pilares e lajes. O desejo de manter a pedra aparente trouxe um desafio importante em termos de isolamento térmico: para cumprir os princípios Passive House, era necessário decidir de que lado isolar. A solução passou por isolar as paredes de pedra pelo interior, com lã de rocha, preservando a expressão da pedra na fachada, e isolar as paredes de alvenaria pelo exterior com sistema ETICS, garantindo assim um desempenho térmico mais eficiente.
A estanquidade ao ar foi assegurada através de reboco contínuo em todas as superfícies, criando uma camada uniforme de controlo. A caixilharia escolhida recaiu sobre janelas certificadas para Passive House, instaladas com pré-aros para minimizar pontos frágeis na envolvente. Para a ventilação, foi instalada uma unidade de ventilação mecânica controlada (VMC) com recuperação de calor, que renova o ar interior, extrai o ar saturado e introduz ar limpo de forma contínua. Graças a este conjunto de estratégias, a climatização da casa é assegurada apenas por duas unidades interiores de ar condicionado, suficientes para todo o volume aquecido.
Numa Passive House, a eficiência energética não é apenas um objetivo técnico; é um compromisso com uma forma mais consciente de habitar: reduzir a necessidade de aquecimento e arrefecimento, baixar consumos e, ao mesmo tempo, elevar a qualidade de vida. Casas mais estanques e bem isoladas significam menos oscilações térmicas, menos humidade e um ambiente interior mais saudável, onde o ar é controlado e renovado de forma permanente.