ventilação mecânica por insuflação

Janeiro, 2023

Ramo

Como sabem, a minha casa é um poço de humidade! Sendo que o grande problema era a humidade existente no solo, que sobe por capilaridade nas paredes e chão, mas que, felizmente, com o isolamento que fizemos no pavimento, aparenta estar bem melhor.

Além disso, como acontece na maioria das casas, durante o inverno também tínhamos muita condensação, pelo ar interior muito saturado de humidade resultante das atividades normais tais como banhos, cozinhar, etc.

Como a construção das casas em Portugal a nível geral é má, com isolamento deficiente, existem grandes pontes térmicas e as diferenças de temperatura entre o interior/exterior são drásticas, o que leva a humidade presente no ar a condensar junto aos tetos, janelas e muitas paredes!

Fazemos obras de melhoramento em que mudamos para janelas mais estanques, revestimos a casa com isolamento térmico e, de repente, temos ainda mais humidade no interior! Isto acontece porque descuramos um elemento essencial para controlar a humidade, a ventilação do ar.

Ao tornarmos a casa mais estanque, o ar saturado não tem por onde sair e acaba por se acumular nas partes frias e nos objetos de materiais naturais ou propícios à fixação do bolor.

Posto isto, depois de tentar tudo, procurar mil e uma soluções, descobri a VMI (Ventilação mecânica por insuflação), que consiste num aparelho que insufla ar exterior dentro de casa através dum sistema de condutas. No nosso caso, está instalado no sótão, mas pode ser instalado em tetos falsos, por exemplo.

O ar que entra é transportado por condutas e insuflado através das três saídas de ar no tecto. Duas destas saídas estão instaladas no centro da casa (corredor) e outra no canto da sala, tendo sido colocadas estrategicamente para o sistema ser eficiente e cumprir o seu propósito: obter ar novo pelo exterior, filtrar os poluentes, e insuflá-lo no interior, de forma a limpar e empurrar o ar saturado através de mini grelhas instaladas nas caixas de estore ou caixilharia. Esta pressão positiva permite assim evacuar os poluentes interiores, a humidade e CO2.

Nos dias mais frios o aparelho faz um pré-aquecimento do ar, de forma a não arrefecer a temperatura interior ou manter a temperatura de conforto definida. Nos dias mais quentes faz hiperventilação noturna para arrefecimento da casa. O sistema tem um sensor que faz este controlo automaticamente sem termos que nos preocupar. A nível de manutenção, é preciso trocar o filtro quando o sistema indica que este está cheio (diria 2 vezes por ano, mas depende das localizações e condições do exterior).

Para funcionar bem e chegar a todas as divisões é importante que as portas interiores estejam abertas para garantir uma boa ventilação. Foi aqui que nós tivemos o caso isolado de bolor na moldura e flores secas que vos mostrei. Estavam no escritório e como é uma divisão que não usamos muito, optamos por fechar a porta muitas vezes para não a termos que aquecer, nem desperdiçar calor para esta área. O que resultou num acumular de humidade que se instalou nas peças mais naturais por falta de ventilação.

Esta foi a prova de que este foi sem dúvida dos melhores investimentos que fizemos, porque eliminamos consideravelmente a humidade da nossa casa e sentimos o ar menos pesado, mais seco e mais saudável.

Para além da VMI há outras soluções, como a VMC, que na minha opinião é melhor para construção de raíz, pois exige mais espaço para instalação de condutas e mais saídas, o que muitas vezes numa remodelação é difícil de implementar, principalmente se estivermos a viver no imóvel.

A VMC funciona com condutas para extrair o ar saturado localizadas nas zonas húmidas como cozinha e casas de banho e condutas para insuflar o ar limpo nos outros espaços da casa, como sala, corredores e quartos. Isto implica ter uma saída/entrada em cada divisão e se for planeado de raíz consegue ser muito eficiente. Na maioria das vezes, este sistema tem um permutador de calor, que faz a troca de calor entre o ar que sai e o ar que entra, evitando a necessidade de aquecer o ar que entra recorrendo a uma resistência elétrica como na VMI. É um sistema mais caro, mas também mais eficiente em termos energéticos.

É cada vez mais importante conseguirmos ter qualidade do ar nas nossas casas e não só, em todo o tipo de edifícios, por isso, eu diria que este tipo de sistema deve ser considerado quando investimos na remodelação ou na construção de uma casa se tivermos a possibilidade de o fazer. Por exemplo, numa Passive House é imprescindível ter este equipamento, ao contrário dos equipamentos de climatização que são opcionais.

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teresa
21 dias atrás

olá obrigada pelo artigo.
queria colocar uma questão.usaram alguma empresa para instalação deste sistema?
muito obrigada

homestories